Nas estrelas vejo a sua mão
E no vento eu ouço a sua voz
Deus domina sobre a terra e mar
O que Ele é pra mim?
Eu sei o sentido do Natal
Pois na história tem seu lugar
Crsito veio para nos salvar
Mas, o que Ele é pra mim?
Até que um dia seu amor senti
A sua imensa graça eu recebi...
Como Devemos Encarar o Natal?
Certa vez, li uma história que nos mostra qual é o significado do Natal e como devemos encará-lo.
Falava de um pastor que adormeceu em seu gabinete numa manhã de Natal e sonhou com um mundo no qual Jesus nunca tinha vindo.
Em seu sonho, viu-se andando pela casa; mas lá não havia presentes no canto da lareira, nem árvore de Natal, nem coroas enfeitadas; e não havia Cristo para confortar, alegrar e salvar. Andou pelas ruas, mas não havia igrejas com suas torres pontudas apontando para o céu. Voltou para casa e sentou-se na biblioteca, mas todos os livros sobre o Salvador haviam desaparecido.
Alguém bateu-lhe à porta. Era uma pessoa que lhe pedia que fosse visitar sua pobre mãe que estava à morte. Ele apressou-se a acompanhar o filho choroso. Quando chegou àquela casa, o pastor disse:
“Eu tenho aqui alguma coisa que a confortará.”
Abriu a Bíblia, procurando alguma promessa bem conhecida, mas viu que ela terminava em Malaquias e não havia evangelho, nem promessa de esperança e salvação. Ele só pôde abaixar a cabeça e chorar com a enferma, em angústia e desespero.
Não muito depois, estava ao lado do caixão fúnebre, mas não havia mensagem de consolação, nem palavra de ressurreição gloriosa, nem céu aberto; apenas “pó ao pó”, e um longo e eterno adeus.
Então, o pastor percebeu que “Ele não tinha vindo”. E rompeu em lágrimas e amargo pranto, em seu triste sonho.
De repente, acordou ao som de uma música. E um forte grito de júbilo saiu-lhe dos lábios, o coro cantando:
Ó vinde, fiéis, triunfantes, alegres,
Sim, vinde a Belém, já movidos de amor.
Nasceu vosso Rei, o Cristo prometido!
Oh, vinde, adoremos ao nosso Senhor!
Este é o verdadeiro sentido no Natal: Jesus, o único Mediador entre Deus e os homens; Maravilhoso, nosso Deus forte, nosso Príncipe da Paz. Alegremo-nos, pois o Natal é Cristo em nós. É a nossa salvação. É nosso perdão, nossa redenção. Celebrar o Natal é celebrar Jesus.
Símbolos do Natal
De todas as festas cristãs, o Natal é uma das mais bonitas. Ela é cheia de cores, de luz e de símbolos muito ricos em significados. Os símbolos apontam para algo. Muitos consideram alguns símbolos usados no Natal como vindos de culturas pagãs.
Por isso, vamos fazer um pequeno estudo dos mais conhecidos símbolos de Natal. Depois, poderemos tirar nossas próprias conclusões. Assim, poderemos escolher a melhor forma de usá-los. Vejamos o que Deus pode nos dizer através desses símbolos.
A Árvore de Natal
A árvore de Natal desempenha um papel importante na data comemorativa do nascimento de Jesus. Os cristãos da antiga Europa ornamentavam suas casas com pinheiros no dia no Natal, única árvore que nas imensidões da neve permanecem verde.
Há várias histórias sobre a origem da árvore de Natal. Uma das favoritas é de que, certo dia, Martinho Lutero caminhava à noite e olhou para o céu estrelado atrás de um pinheiro. Ele estava pensando em uma forma de celebrar o Natal com a família. De repente, ao olhar aquele pinheiro com as estrelas brilhando ao fundo, pensou em uma árvore com velas brilhando, imitando estrelas.
Lutero, então, cortou um pinheiro, levou-o para casa e , juntamente com os filhos foi decorando com frutas, laços coloridos e finalmente, com velas que acendia às noites enquanto falavam sobre a vinda de Jesus, que trouxe luz às nossas trevas.
A árvore de Natal é um símbolo natalino que representa agradecimento pela vinda de Jesus Cristo.
Presentes
A idéia de trocar presentes no Natal está relacionada, entre outros motivos, aos magos que trouxeram presentes para Jesus. A troca de presentes entre as pessoas é uma forma de lembrar que a oferta generosa de Deus em Cristo é para todos.
Os presentes significam que Deus não abandonou o homem, que ele nos deu o maior presente: Jesus. Esse presente é para qualquer pessoa que quiser; rico, pobre, preto, branco, morador de favela, japonês, coreano, filho de mãe solteira, que o pai não ama, não respeita, não importa. O presente de Deus é para todos.
A Estrela
A estrela representa o sol da justiça que guiou os magos. A estrela tornou-se o símbolo do extraordinário que aconteceu naquela noite, ela aponta para o local do nascimento de Jesus e aponta para a plenitude de vida que representa essa vinda de Deus ao mundo.
A Cantata ou Coral
Simboliza o primeiro dia em que os anjos vieram a Terra cantando. Não se ouviu na história que os anjos cantaram aqui na Terra, a não ser no dia que Jesus nasceu.
A Ceia
A ceia representava o Cordeiro pascal, a presença do Cordeiro que tira o pecado do mundo. Ela une as pessoas e festeja a vinda de Cristo.
Por isso, reúna a família, faça uma ceia. Se não puder comprar um pero, asse um frango, uma carne, uma farofa, um arroz com passas. Promova uma ceia na sua casa na noite do Natal, ou na véspera se quiser. Se não tiver ninguém, coma sozinho, ou convide alguém.
Guirlanda
Na Inglaterra, sempre-vivas eram usadas como decoração de Natal nas ruas. Na Alemanha, passaram a arrumá-las em forma de círculo, representando o amor de Deus que nos protege.
Cartões de Natal
Na Inglaterra, em 1844, um famoso artista chamado William de Birmingham começou a pintar cenas natalinas e a escrever mensagens para representar seus amigos na época de Natal. Aqueles cartões fizeram muito sucesso. No ano seguinte, ele fez cópias de seus cartões e continuou a presentear seus amigos.
A idéia se espalhou rapidamente. Os cartões de Natal nos lembram o espalhar a boa-nova.
Então, vimos que os símbolos são apenas isso: símbolos. Não há nada de especial nem errado neles. São apenas uma forma de celebrar o Natal. O essencial ao Natal é Cristo.
Extraído do Livro
”Natal a mais linda festa”
Pr. Jorge Linhares
Fonte: www.getsemani.com.br
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
SUPER ENCONTRO DE VANESSA COM GOLPE BAIXO (Capítulo 1)
SUPER ENCONTRO DE VANESSA COM GOLPE BAIXO (Capítulo 1)
Descrição:
Esse livro se chama "Super Encontro de Vanessa com Golpe Baixo" e é baseado no site em que Chris, ditou em seu seriado: "Tudo Mundo odeia o Chris" (Everybody hates Chris). Pela maioria que leu esse 'livro', disse que era engraçado.
Mas vamos ver.
Curtam, em capítulos, o..
SUPER ENCONTRO DE VANESSA COM GOLPE BAIXO
Capítulo 1
Tudo começou com uma aposta entre os homens da Barbearia e as Mulheres do Salão. Era um jogo dos Jets contra os Giats. Se os Jets ganhassem, a Barbearia iria pagar uma noite de princesa para todas as mulheres do Salão e se os Giats ganhassem, Vanessa iria sair com Golpe Baixo.
Depois de muita discussão de Rochele e Julius sobre passar roupa, acabou que os Jets perderam.
Sendo assim, chegou o "grande dia". Como a aposta dizia que Vanessa teria que sair com Golpe Baixo ela cumpriu o combinado. Então, chegou uma limusine e começou a noite encantada de Vanessa.
Primeiro, eles foram a um restaurante e abriram um xampane. Logo após, foram até um aeroporto e lá estava um lindo helicóptero cor de rosa.
Eles sobrevoaram todo Brooklin e conseguiram ver o movimento de Bad Stay. Viram também um bairro branco, um bairro asiático e até um bairro chinês.
Depois disso, eles foram jogar Fliberama e fazer compras na loja mais chique da cidade. Vanessa, claro, adorou ter feito isso, apesar de estar com um pouco de medo sobre o que iria acontecer naquela noite. Mas tirando isso, estava feliz.
Golpe Baixo a levou para conhecer sua mãe e seu pai, em outro estado. Foram de Jatinho Particular, um vermelho, com rosas desenhadas e em cima, escrito: "Não me segue que eu tô perdido".
A mãe, uma louca que saiu do hospicio fazia 3 dias. O pai, tinha alucinações que passavam de geração em geração, a cada novo homem da familía. A irmã de Golpe Baixo também estava lá. Não tinha muitos problemas, apenas diabétes, anemia, adenóide e excesso de gordura no sangue.
Depois de conhecer os parentes, Vanessa foi até uma orquestra. Os músicos tocavam piano, violoncelo, violão, guitarra, flauta, trompete e sino.
A noite estava sendo perfeita. Então, acabou a apresentação e...
Esse livro se chama "Super Encontro de Vanessa com Golpe Baixo" e é baseado no site em que Chris, ditou em seu seriado: "Tudo Mundo odeia o Chris" (Everybody hates Chris). Pela maioria que leu esse 'livro', disse que era engraçado.
Mas vamos ver.
Curtam, em capítulos, o..
SUPER ENCONTRO DE VANESSA COM GOLPE BAIXO
Capítulo 1
Tudo começou com uma aposta entre os homens da Barbearia e as Mulheres do Salão. Era um jogo dos Jets contra os Giats. Se os Jets ganhassem, a Barbearia iria pagar uma noite de princesa para todas as mulheres do Salão e se os Giats ganhassem, Vanessa iria sair com Golpe Baixo.
Depois de muita discussão de Rochele e Julius sobre passar roupa, acabou que os Jets perderam.
Sendo assim, chegou o "grande dia". Como a aposta dizia que Vanessa teria que sair com Golpe Baixo ela cumpriu o combinado. Então, chegou uma limusine e começou a noite encantada de Vanessa.
Primeiro, eles foram a um restaurante e abriram um xampane. Logo após, foram até um aeroporto e lá estava um lindo helicóptero cor de rosa.
Eles sobrevoaram todo Brooklin e conseguiram ver o movimento de Bad Stay. Viram também um bairro branco, um bairro asiático e até um bairro chinês.
Depois disso, eles foram jogar Fliberama e fazer compras na loja mais chique da cidade. Vanessa, claro, adorou ter feito isso, apesar de estar com um pouco de medo sobre o que iria acontecer naquela noite. Mas tirando isso, estava feliz.
Golpe Baixo a levou para conhecer sua mãe e seu pai, em outro estado. Foram de Jatinho Particular, um vermelho, com rosas desenhadas e em cima, escrito: "Não me segue que eu tô perdido".
A mãe, uma louca que saiu do hospicio fazia 3 dias. O pai, tinha alucinações que passavam de geração em geração, a cada novo homem da familía. A irmã de Golpe Baixo também estava lá. Não tinha muitos problemas, apenas diabétes, anemia, adenóide e excesso de gordura no sangue.
Depois de conhecer os parentes, Vanessa foi até uma orquestra. Os músicos tocavam piano, violoncelo, violão, guitarra, flauta, trompete e sino.
A noite estava sendo perfeita. Então, acabou a apresentação e...
Elevador Lacerda
- O Elevador Lacerda está localizado em Salvador, capital do estado da Bahia. Ele liga a Cidade Alta a Cidade Baixa de Salvador. Portanto, sua utilidade é destinada ao transporte de pessoas.
- A torre do elevador possui 72 metros de altura.
- Foi projetado pelo engenheiro Augusto Frederico de Lacerda.
- Sua arquitetura segue o estilo artístico art déco.
- Sua construção teve inicio no ano de 1869, sendo inaugurado em 1873.
- Somente em 1906 os elevadores começaram a funcionar com eletricidade, pois antes eles funcionavam a base de sistema hidráulico.
- O primeiro nome foi Elevador Hidráulico da Conceição da Praia, sendo que passou a ser chamado de Elevador Lacerda somente em 1896.
- Durante sua história passou por quatro grandes e importantes reformas: 1906 (instalação da parte elétrica), 1930 (construção de uma nova torre e instalação de mais dois elevadores), 1980 (manutenção da estrutura de concreto) e 1997 (manutenção nas instalações elétricas).
- Em 7 de dezembro de 1996, o Elevador Lacerda foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
- Do alto do Elevador Lacerda tem-se uma bela vista da Baía de Todos os Santos,do Mercado Modelo e de grande parte da cidade de Salvador.
- O elevador transporta, em média, 27 mil pessoas por dia. O percurso é feito em 30 segundos.
- Ele é um dos cartões postais da cidade de Salvador e um dos pontos turísticos mais visitados da Bahia.
Ferry boat funciona sem elevadores de carros
Ferry boat funciona sem elevadores de carros
Em 25 de dezembro de 2011 às 20:13 por Transito Online
Os ferries Ana Nery e Ivete Sangalo operaram na manhã de ontem com as estruturas que funcionam como elevadores para veículos desativados, segundo informou a TWB, concessionária do sistema ferry boat. A mudança ocorreu após o elevador do ferry Ana Nery travar e provocar danos a um veículo, na sexta-feira. A estrutura amplia a capacidade dos ferries ao permitir que os veículos fiquem suspensos no segundo pavimento.
Com a desativação, 12 veículos não puderam embarcar em cada viagem de ontem. Não há prazo para voltar a funcionar normalmente. Apesar da redução, a TWB informou que na manhã de ontem não foi necessário criar horários extras. A copeira Augusta Araújo, 56 anos, saiu cedo de casa com medo de pegar filas e ter que suportar horas de espera.
“Estou indo para a Ilha de Itaparica porque minha mãe mora lá e está fazendo 96 anos. Vamos juntar com o Natal e fazer uma festa só”, destacou. Na hora de embarcar, a copeira ainda trocou Maria Bethânia por Ivete Sangalo. “Bethânia é muito mole. Ivete é mais rápida”, brincou a usuária, referindo-se aos ferries que levam os nomes das cantoras baianas.
A previsão da TWB é que, a partir de amanhã, o movimento fique mais intenso por causa do retorno do Natal. Já no terminal rodoviário, o movimento também foi tranquilo na manhã de ontem. A expectativa da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba) é de que até o último dia do ano 350 mil pessoas deixem Salvador para curtir as festas natalinas. Em torno de dois mil horários extras foram criados para atender à demanda, além dos 540 horários previstos diariamente.
Fonte: iBahia
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
sábado, 17 de dezembro de 2011
Amor, Amore, Love, Amour, Liebe
Amor, Amore, Love, Amour, Liebe
Já os ingleses dizem "Love" como quem vai beber uma Pint a um pub, o que torna a palavra um tanto ou quanto banal. Aplicam o "Love" tanto a uma pessoa como a um objecto qualquer. Se uma inglesa me disser "I Love you" alguma vez na vida, ficarei sempre na dúvida se ela me ama ou se me quer comprar. A palavra "Love" não se esconde como a palavra "Amor", mas circula de boca em boca como um bêbado solitário o faz nas ruas de Londres: sem dar cavaco a ninguém.
É por isso que gosto da Itália, onde "Amore" é tão grande que é difícil escondê-la onde quer que seja, quanto mais num canto da boca ou atrás dos dentes. O "Amore" é aberto e confirma-se sempre com o "Io te voglio tanto bene" para que não restem dúvidas e para que a coisa venha com garra.
A garra, precisamente, é o que falta aos franceses. O "Amour" nunca vem só, é servido numa taça com champanhe, flores e caviar como se só pudéssemos ter o seu usufruto se lavássemos primeiro as mãos e nos vestíssemos apropriadamente. Exactamente o contrário dos alemães, cujo "Liebe" parece ter tesão para pouco mais de cinco minutos.
A forma como se diz "Amor" quer dizer tudo sobre um povo, e se é verdade que nós não somos capazes de gritar como os italianos, não nos queremos vulgarizar como os ingleses, não somos de floreados como os franceses nem martelamos como os alemães, também é verdade que segredamos como ninguém.
O nosso "Amor" é assim, um segredo que vagueia entre a louca nudez de um dia de Verão e a tristeza momentânea de um dia de chuva. Somos assim. Eu sou assim. De facto tenho orgulho nisso, num Amor que é tão saboroso quanto melancólico e que só se dá quando os lábios se aproximam do ouvido e dizem: "Eu Amo-te!".
A origem das 32 peças
A origem das 32 peças
Até o fim do século 19, acreditava-se que o jogo de xadrez havia surgido na região da antiga Pérsia. Entretanto, no início do século 20, duas publicações contribuíram para mudar esta concepção.
Em 1902, o oficial inglês H. Raverty escreveu um artigo no Jornal da Sociedade Real Asiática de Bengala, intitulado a "História do Xadrez e do Gamão". De acordo com lingüista Sam Sloam (1985) [1], pela primeira vez contou-se a seguinte história: um sábio chamado Sissa, de uma região do noroeste da Índia, inventou um jogo que representava uma guerra e pediu como recompensa ao rei um grão de trigo para a primeira casa do tabuleiro, dois para a segunda, quatro para a terceira, sempre dobrando a quantidade da casa anterior. Essa famosa história foi inúmeras vezes recontada e acabou tornando-se a lenda mais conhecida sobre a origem do xadrez.
Em 1913, Harold James Ruthven Murray publicou o livro “Uma História do Xadrez”. Nesta obra, o autor declara de forma convincente em mais de 900 páginas que o xadrez foi inventado na Índia, em 570 d.c.. Este xadrez indiano chamava-se chaturanga e seria anterior ao xadrez persa (chatrang), ao xadrez árabe (shatranj), ao xadrez chinês (xiangqi), ao xadrez japonês (shogi) e a todos os xadrezes. A pesquisa do autor tornou-se uma referência na literatura enxadrística e foi reproduzida exaustivamente [2].
representação hindu | Todos nós acreditamos na versão de Murray. Afinal, o chaturanga era a origem mais provável. Porém, esta teoria foi ficando cada vez mais difícil de sustentar com novas descobertas arqueológicas e com uma análise mais minuciosa das fontes do autor. Na busca de referências para trabalhos científicos, o xadrez indiano a quatro mãos passou a ser citado como uma variante mal-sucedida de um outro jogo ainda mais antigo [3]. |
De acordo com Yuri Averbakh (1999) [4], a origem do xadrez não pode ser analisada sem o conhecimento adequado da origem de outros jogos de tabuleiros. Por exemplo: egípcios e gregos tiveram os seus jogos de tabuleiros que simulavam corridas. Asthapada era o nome de um antigo jogo de corrida indiano que, assim como o chaturanga, era jogado por quatro pessoas, com dados, em um tabuleiro de 64 casas. A idéia de um xadrez inicial somente com carros de combate é realmente incrível.
Mas, apesar de Jean-Louis Cazaux (2001) [5] e Myron Samsin (2002) [6] proporem o xadrez como um jogo híbrido, o registro da existência de vários jogos de tabuleiros (8x8), em regiões e épocas distintas, com peças representando uma hierarquia e com o mesmo objetivo de deixar a peça principal sem movimento é uma evidência que estes jogos tiveram uma origem comum.
analogia com as peças do xadrez: chaturanga, chatrang e xiangqi
O período árabe do xadrez, cujo nome shatranj permanece até os dias atuais, parece ser o único ponto de convergência entre os antigos e atuais pesquisadores. Ele foi realmente o responsável pela propagação rápida do jogo que acompanhou a cultura mulçumana na expansão do islamismo. Até 1475, o xadrez que jogava-se na Europa era resultado direto desta influência. O grande enigma diz respeito ao seu período ainda mais remoto. Se realmente há registros na literatura antiga persa e chinesa anteriores ao século seis da nossa era sobre um jogo de tabuleiro similar ao xadrez, podemos considerar as seguintes hipóteses formuladas por Cazaux (2001) [7]:
1 – O xadrez nasceu na Pérsia; 2 – O xadrez nasceu na China; 3 – O xadrez persa e chinês têm o mesmo ancestral; 4 – O xadrez persa e o xadrez chinês influenciaram-se mutuamente na sua formação. |
Há referências [8] que, ao menos 700 anos antes da era cristã, jogava-se na China um jogo de tabuleiro com pedras que simulava uma guerra. O número de peças podia chegar exatamente a 32 peças. Este jogo tinha o nome de Liubo e é considerado o ancestral do xiangqi, o xadrez chinês.
O jogo do elefante [9] já era jogado na China no século II d.c.. Os movimentos das peças que iniciam nas bordas do tabuleiro, equivalentes à torre, cavalo e bispo [10] do xadrez moderno, são praticamente os mesmos do xadrez chinês. Há também um rei no centro. O que muda é o número de peões: apenas cinco no xiangqi, contra oito do modelo ocidental. Esta mudança é compensada em número de peças por dois conselheiros e dois canhões, somando em ambos os jogos 32 peças. | Liubo |
O tabuleiro chinês é no formato 9x10. Como as peças não são colocadas nas casas e sim nos pontos que separam as casas, a transposição para xadrez moderno equivaleria a um tabuleiro 8x9. Há ainda no xadrez chinês um rio que separa os dois lados como uma fronteira artificial. Se o rio fosse eliminado teríamos o mesmo tabuleiro de 64 casas (8x8). Sloam (1985), em seu artigo “A origem do xadrez” [11], é enfático quando comenta a convenção dos pontos, originária de um outro jogo de tabuleiro, o go:
xiangqi: discos com caracteres chineses | “...quando o xadrez foi da China para a Índia, era jogado num tabuleiro de go de 9x9. Quando os indianos (ou persas ou árabes, quais tenham vindo primeiro), que não sabiam nada de go, viram aquilo, eles simples e naturalmente tiraram as peças dos pontos e puseram nas casas. Assim, um tabuleiro de go de 9x9 tornou-se um tabuleiro de xadrez de 8x8. Contudo, havia ali uma peça a mais, então os indianos simplesmente eliminaram um dos chanceleres. Também acrescentaram três peões, para preencher o espaço vazio em frente. (O xadrez chinês agora só tem cinco peões, mas pode ter tido mais em versões mais antigas do jogo). Dessa forma, é possível que eles tenham convertido o xadrez chinês em xadrez indiano de um só golpe...” |
Embora não existam evidências que comprovem todos os argumentos daqueles que hoje acreditam na segunda hipótese, é um fato os registros de um jogo anterior ao chaturanga e ao chatrang em pelo menos três séculos. O xiangqi teria a possibilidade de ter se propagado em outras regiões sujeitas à influência chinesa com as rotas comerciais da seda. As peças de xadrez mais antigas já descobertas foram encontradas nestes caminhos. | peças encontradas em 1972 no Uzbequistão, datadas do séc. II |
Neste xadrez de tantas possibilidades, permitiu-se ainda que em julho de 2002 fosse encontrada durante as escavações de um palácio bizantino, no sul da Albânia, uma peça de marfim que seria do ano 465 d.c. [12] (portanto, anterior ao chaturanga). Seria a mais antiga peça já encontrada na Europa, mas há quem acredite não ser uma peça de xadrez e sim apenas uma pequena estatueta decorativa. Antes desta descoberta, peças italianas feitas de osso, datadas do séc. X, em exposição no Museu Arqueológico de Nápoli, pareciam confirmar que o xadrez indiano, persa ou chinês havia demorado mais séculos antes de entrar na Europa medieval.
A peça de 4 cm (Séc. V) encontrada em 2002 e as peças italianas (séc. X)
__________________________________________________________________________________________
Prof. José Augusto de Melo Neto
Agosto/2002
Agosto/2002
Notas:
1 - SLOAM, Sam. The Origin of Chess. 1985. Disponível em:< http://www.samsloan.com/origin.htm>. Acesso em: 29 ago 2002
2 - Embora o autor tenha este e outros livros reimpressos nas décadas de 50 e 60, suas pesquisas encerram-se em 1917.
3 - SLOAM, Sam. Op. Cit.
4 - AVERBAKH, Yuri. To the Question of the Origin of Chess. 1999. Disponível em: < www.netcologne.de/~nc-jostenge/ averba.htm>. Acesso em: 29 ago 2002
5 - CAZAUX, Jean-Louis. Is Chess a hybrid game?. 2001. Disponível em: < www.netcologne.de/~nc-jostenge/cazaux.htm>. Acesso em: 29 ago 2002
6 - SAMSIN, Myron J. Pawns and Pieces - Towards the Prehistory of Chess. 2002. Disponível em: < www.netcologne.de/~nc-jostenge/samsin.htm>. Acesso em: 29 ago 2002
7 - CAZAUX, Jean-Louis. Op. Cit.
8 - FLEISCHER, R. e ULLAH KHAN, S. Xiangqi and Combinatorial Game Theory. 2002. Disponível em:<http://www.cs.ust.hk/ tcsc/RR/2002-01.ps.gz>. Acesso em: 29 ago 2002
9 - O xiangqi é também conhecido como o jogo do elefante, enquanto o shogi é conhecido como o jogo do general.
10 - A comparação é evidentemente mais adequada com o chatrang, cujos nomes das peças são os mesmos.
11 - SLOAM, Sam. A origem do xadrez. Disponível em: < http://geocities.yahoo.com.br/xadrezvirtual/historia/>. Acesso em 29 ago 2002
12 - Europe's Oldest Chess Piece Found. Disponível em: <http://dsc.discovery.com/news/briefs/20020729/chess.html>. Acesso em 29 ago 2002
Este artigo está licenciado sob a Creative Commons. Para notas legais consulte a licença.
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Direito e Deveres do Aluno
Direito e Deveres do Aluno
Estudante é aquele que estuda, que pesquisa, que se propõe aprender algo que transforme a vida em sociedade. Antigamente, o estudante era conhecido como discípulo ou aprendiz; atualmente, é chamado de aluno ou escolar.O estudante, como qualquer outra pessoa, possui direitos e deveres, porém a sua condição de aluno faz com que ele desfrute de direitos e deveres próprios de quem estuda.
No texto abaixo, pontuamos uma série de itens úteis ao aluno no que tange o seu aprendizado e sua atitude perante a instituição de ensino.
Direitos do aluno
- Ter direito de ser informado sobre todos os assuntos que lhe digam respeito a alteração de treinamentos, modo de organização e critérios de avaliação;
- Normas de utilização dos equipamentos;
- Ao intervalo de 15 minutos para cofee break / refeição;
- Direito do certificado;
- Ambiente em condições de aprendizado.
Deveres
- Ser assíduo, pontual e empenhado no cumprimento do treinamento no âmbito do curso;
- Seguir as orientações do instrutor relativo ao treinamento;
- Tratar com respeto os participantes do treinamento, respeitando suas limitações.
- Respeitar o instrutor;
- Participar das atividades teóricas e práticas, bem como as atividades que requeiram a participação do aluno;
- Preservar a conservação das instalações, material didático , mobiliário e equipamentos da aula prática;
- Não utilizar celular ou qualquer outro meio de comunicação que atrapalhe o período de aula;
- Não fumar durante as aulas mesmo nas aulas práticas.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Menina Maisa faz programa em homenagem ao Dia das Crianças
A apresentadora mirim Maisa Silva, de 7 anos, será a atração principal do musical 'Uma Hora de Sucesso', do SBT, no próximo sábado, 10, às 23 horas. Apesar do horário, o programa é em homenagem ao Dia das Crianças.No repertório da atração, Maisa apresenta o CD 'Tudo que Me Vem na Cabeça', lançado em agosto passado.
Entre os convidados da noite, a apresentadora terá Ivete Sangalo, que deu à luz na última sexta-feira, 2.
A cantora baiana vai participar do programa por meio de um telão e fará um dueto com Maisa na música 'Flor do Reggae', presente no álbum da jovem apresentadora.
O programa também contará com a participação da apresentadora ELIANA!
Fonte: A TARDE
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Menina Maisa rouba a cena na estreia de Eliana
A apresentadora Eliana estreou o programa que leva seu nome neste domingo (30) no SBT, mas quem chamou atenção mesmo foi a menina Maisa, que deu sua primeira entrevista, autorizada, claro, por Silvio Santos, em rede nacional.Maisa foi até a casa de Eliana para um almoço, onde conheceu os animais de estimação da apresentadora.
No palco, a menina ganhou um cão da raça Chow Chow, após "convencer" sua mãe no ar. As duas apresentaram, pela primeira vez, o dueto gravado no disco de Maisa, lançado nessa sexta-feira (28) e gravado no início do mês.
Moldes da RecordO programa Eliana segue os moldes do Tudo é Possível, que fez sucesso na Record, também no comando da apresentadora. O cenário, mais modesto e menor que o da emissora concorrente, é decorado nas cores branco e laranja, com projeções de ensaios feitos por ela.
O grupo Kalypso foi o grande convidado da tarde, comemorando seus dez anos de carreira. A vocalista Joelma mostrou os excêntricos figurinos em que se apresenta por todo o País e uma fã foi ao palco para receber prêmios, respondendo perguntas sobre a banda.
DeclaraçõesSandy, Hebe Camargo, Ratinho e Nando Reis, entre outros, gravaram declarações de "boas vindas" a Eliana no SBT. No início do programa, a apresentadora disse que era bom "voltar para casa" após 11 anos.
Eliana aproveitou a estreia para mostrar quadros que vão fazer parte do programa, como O Homem Teste, estrelado pelo ator Fernando Muylaert, e Ciência em Show, comandado pelos cientistas Wilson, Gerson e Daniel, que já participavam do programa na Rede Record.
Acompanhe o Terra para maiores informações e detalhes de audiência da estreia.
parida de futebol
É Uma Partida De Futebol
Skank
Bola na área sem ninguém pra cabecear
Bola na rede pra fazer o gol
Quem não sonhou em ser um jogador de futebol?
A bandeira no estádio é um estandarte
A flâmula pendurada na parede do quarto
O distintivo na camisa do uniforme
Que coisa linda é uma partida de futebol
Posso morrer pelo meu time
Se ele perder, que dor, imenso crime
Posso chorar, se ele não ganhar
Mas se ele ganha, não adianta
Não há garganta que não pare de berrar
A chuteira veste o pé descalço
O tapete da realeza é verde
Olhando para bola eu vejo o sol
Está rolando agora, é uma partida de futebol
O meio-campo é lugar dos craques
Que vão levando o time todo pro ataque
O centroavante, o mais importante
Que emocionante, é uma partida de futebol
O meu goleiro é um homem de elástico
Os dois zagueiros tem a chave do cadeado
Os laterais fecham a defesa
Mas que beleza é uma partida de futebol
Bola na trave não altera o placar
Bola na área sem ninguém pra cabecear
Bola na rede pra fazer o gol
Quem não sonhou em ser um jogador de futebol?
O meio-campo é lugar dos craques
Que vão levando o time todo pro ataque
O centroavante, o mais importante,
Que emocionante é uma partida de futebol !
Utêrêrêrê, utêrêrêrê, utêrêrêrê, utêrêrêrê
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Ornitorrinco
O ornitorrinco (nome científico: Ornithorhynchus anatinus, do grego: ornitho, ave + rhynchus, bico; e do latim: anati, pato + inus, semelhante a: "com bico de ave, semelhante a pato") é um mamífero semiaquático natural da Austrália e Tasmânia. É o único representante vivo da família Ornithorhynchidae, e a única (a) espécie do gênero Ornithorhynchus (b). Juntamente com as equidnas, formam o grupo dos monotremados, os únicos mamíferos ovíparos existentes. A espécie é monotípica.
O ornitorrinco possui hábito crepuscular e/ou noturno. Carnívoro, alimenta-se de insetos, vermes e crustáceos de água doce. Possui diversas adaptações para a vida em rios e lagoas, entre elas as membranas interdigitais, mais proeminentes nas patas dianteiras. É um animal ovíparo, cuja fêmea põe cerca de dois ovos, que incuba por aproximadamente dez dias num ninho especialmente construído. Os monotremados recém-eclodidos apresentam um dente similar ao das aves (um carúnculo), utilizado na abertura da casca; os adultos não possuem dentes. A fêmea não possui mamas, e o leite é diretamente lambido dos poros e sulcos abdominais. E os machos possuem esporões venenosos nas patas, que são utilizados principalmente para defesa territorial e contra predadores. Possui uma cauda similar a de um castor.
As características atípicas do ornitorrinco fizeram com que o primeiro espécime empalhado levado para a Inglaterra fosse classificado pela comunidade científica como um embuste. Hoje, ele é um ícone nacional da Austrália, aparecendo como mascote em competições e eventos e em uma das faces da moeda de vinte centavos do dólar australiano. É uma espécie pouco ameaçada de extinção. Recentes pesquisas estão sequenciando o genoma do ornitorrinco e pesquisadores já descobriram vários genes que são compartilhados tanto com répteis como com as aves. Mas cerca de 82% do seus genes são compartilhados com outras espécies de mamíferos já sequenciadas, como o cachorro, a ratazana e o homem.
O ornitorrinco é endêmico da Austrália, onde é encontrado no leste de Queensland e Nova Gales do Sul, no leste, centro e sudoeste de Victoria, Tasmânia, e Ilha King. Foi introduzido no extremo oeste da ilha Kangaroo, entre 1926 e 1949, onde ainda mantém uma população estável.[1] A espécie está extinta na Austrália Meridional, onde era encontrada nas Colinas de Adelaide e na Cordilheira do Monte Lofty.[2]
A espécie é dependente de rios, córregos, lagoas e lagos. A distribuição geográfica mostra considerável flexibilidade tanto na escolha do habitat quanto na adaptabilidade a uma variação de temperatura. A espécie é capaz de enfrentar tanto as altas temperaturas das florestas tropicais de Queensland, como áreas montanhosas cobertas por neve em Nova Gales do Sul. A distribuição atual do ornitorrinco mudou muito pouco desde a colonização da Austrália, e continua a ocupar grande parte de sua distribuição histórica.[1]
O ornitorrinco tem um corpo hidrodinâmico e comprimido dorsoventralmente. Os membros são curtos e robustos, e os pés possuem membrana interdigital. Cada pé tem cinco dígitos com garras. A cauda é semelhante à de um castor. O focinho, que lembra um bico de pato, é alongado e coberto por uma pele glabra, macia, úmida e encouraçada; ele é perfurado sobre toda sua superfície por poros com terminações nervosas sensitivas. As narinas também se abrem no focinho, na sua metade dorsal superior, e estão posicionadas lado a lado. Os olhos e as orelhas estão localizados em um sulco logo após o focinho, esse sulco é fechado por uma pele quando o animal está sob a água.[3] A idéia de que o ornitorrinco tinha um bico córneo como o das aves surgiu do exame de espécimes ressecados.[4] Os órgãos olfatórios não são tão desenvolvidos quanto nas équidnas. E a espécie não tem orelhas externas ou pina.
Tanto o peso quanto o comprimento variam entre os sexos, sendo o macho maior que a fêmea.[4] Há também uma variação substancial na média de tamanho de uma região a outra, esse padrão não parece estar relacionado a nenhum fator climático, e pode ser devido a outros fatores ambientais como predação e pressão humana.[5]
O corpo e a cauda do ornitorrinco são cobertos por uma densa pelagem que captura uma camada de ar isolante para manter o animal aquecido.[3][6] A coloração é âmbar profundo ou marrom escuro no dorso, e acinzentado a castanho amarelado no ventre. A cauda é usada como reserva de gordura, uma adaptação também vista em outros animais, como no diabo-da-tasmânia [7] e na raça de ovelha, Karakul. As membranas interdigitais são mais proeminentes nos membros dianteiros e são dobradas quando o animal caminha em terra firme.[3] Ornitorrincos emitem um rosnado baixo quando ameaçados e uma gama de outras vocalizações tem sido reportadas em cativeiro.[6]
O ornitorrinco tem uma média de temperatura corporal de cerca de 32 °C, ao invés dos 37 °C dos placentários típicos.[8] Pesquisas sugerem que essa temperatura foi uma adaptação gradual as condições ambientais hostis, em parte pelo pequeno número de monotremados sobreviventes em vez de uma característica histórica da ordem.[9][10]
O espécime adulto não possui dentes, entretanto, os filhotes possuem dentes calcificados, pequenos, sem esmalte e com numerosas raízes;[1] os três molares com cúspides presentes são pseudo-triangulados.[11] Nos adultos, os dentes são substituídos por uma placa queratinizada tanto na mandíbula como na maxila, que cresce continuamente.[3] O Ornithorhynchus possui algumas características craniais primitivas, entre elas a retenção das cartilagens escleróticas e do osso septomaxilar do crânio.[12] No esqueleto pós-craniano, ocorre retenção das vértebras cervicais (rudimentares) e dos ossos coracóide e interclavicular da cintura escapular, condições essas que são similares aos répteis.[3]
O macho tem esporões nos tornozelos, que produzem um coquetel venenoso,[13] composto principalmente por proteínas do tipo defensinas (DLPs), que são únicas do ornitorrinco.[14] Embora poderoso o suficiente para matar pequenos animais,[14] o veneno não é letal para os humanos, mas pode causar uma dor martirizante e levar à incapacidade. Como somente os machos produzem veneno e a produção aumenta durante o período de acasalamento, é teorizado que ele seja usado como arma defensiva para afirmar dominância durante esse período.[14]
Ornitorrincos são animais semiaquáticos e primariamente noturnos [1] ou crepusculares.[4] Quando não estão mergulhando em busca de alimento, descansam em buracos feitos nas margens dos rios e lagos, sempre camuflados com vegetação aquática. Há dois tipos de tocas, uma serve como abrigo para ambos os sexos e é construída pelo macho na época de acasalamento; a outra, geralmente mais profunda e elaborada, é construída pela fêmea e serve como ninho para a incubação dos ovos e cuidados pós-natais.[4] As aberturas das tocas ficam acima da água, e se estendem sob as margens de 1 a 7 metros acima do nível da água e até por 18 metros horizontalmente. O território dos machos tem cerca de sete quilômetros, sobrepondo a área de três a quatro fêmeas.[15]
É um excelente mergulhador e gasta boa parte do dia procurando por comida sob a água. Singularmente entre os mamíferos, ele se impulsiona ao nadar alternando remadas com as duas patas dianteiras; embora todas as quatro patas do ornitorrinco tenham membranas, as traseiras (mantidas contra o corpo) não auxiliam na propulsão, mas são usadas para manobrar em combinação com a cauda.[16] Os mergulhos normalmente duram cerca de trinta segundos, mas podem durar até mais, não excedendo o limite aeróbico de quarenta segundos. Dez a vinte segundos são gastos para retornar à superfície.[17][18]
Sobre a longevidade, ornitorrincos selvagens já foram recapturados com onze anos e, em cativeiro, a espécie vive até dezessete anos. A taxa de mortalidade, em adultos, na natureza é aparentemente baixa.[3] Os predadores naturais incluem aves de rapina, serpentes, além de cães, gatos, raposas-vermelhas e o homem.[19] A introdução da raposa-vermelha como predadora do coelho pode ter tido um impacto na população de ornitorrincos na Austrália.[5] Um baixo número de ornitorrincos na região norte de Queensland pode ser devido a presença do crocodilo-poroso (Crocodylus porosus).Hábitos alimentares e dieta
Ornitorrinco, se alimentando. Possui hábitos alimentares carnívoros, se alimentando de anelídeos, larvas de insetos aquáticos, camarões de água doce, girinos, caramujos, lagostins de água doce e pequenos peixes, que ele escava dos leitos dos rios e lagos com seu focinho ou apanha enquanto nada. As presas são guardadas nas bochechas a medida que são apanhadas, e quando um número suficiente é reunido, ou quando é necessário respirar, ele retorna a superfície para comê-las.[21] A mastigação é feita pelas placas córneas que substituem os dentes, e a areia contida junto com o alimento serve de material abrasivo, ajudando no ato de mastigar.[4]
O animal precisa comer 20% do seu peso todos os dias, esse requerimento faz com que ele gaste 12 horas por dia procurando por comida.[17] Em cativeiro, ele chega a comer metade do seu peso em um único dia, um macho pesando 1.5 quilogramas pode ingerir 45 gramas de minhocas, 20-30 lagostins, 200 larvas de tenébrios, dois sapos pequenos, e dois ovos cozidos.[4]
Reprodução A espécie exibe uma única estação de acasalamento, que ocorre entre junho e outubro, com algumas variações locais.[20] Observações históricas, estudos de marcação e recaptura, e investigações preliminares de genética populacional indicam a possibilidade de membros transitórios e residentes na população e sugerem um sistema de acasalamento polígeno.[22] Ambos os sexos se tornam sexualmente maduros no segundo ano de vida, mas algumas fêmeas só se reproduzem com quatro anos ou mais tarde.[23] Todos os monotremados apresentam baixa taxa reprodutiva - não mais do que uma vez ao ano.[12]
Após o acasalamento, a fêmea constrói um ninho, mais elaborado que a toca de descanso, e o bloqueia parcialmente com material vegetal (que pode ser um ato de prevenção contra enchentes ou predadores, ou um método de regulação de temperatura e umidade).[19] O macho não participa da incubação, nem do cuidado com os filhotes. A fêmea forra o ninho com folhas, junco e outros materiais macios, para fazer uma cama confortável.[6]
A fêmea do ornitorrinco tem um par de ovários, mas somente o esquerdo é funcional.[24] Ela põe de um a três ovos (geralmente dois) pequenos, de aspecto semelhante ao dos répteis (pegajosos e com uma casca coriácea), com cerca de onze milímetros de diâmetro e ligeiramente mais arredondados que o das aves.[25] Em proporção, os ovos dos monotremados são muito menores, na ovulação, do que os dos répteis ou aves de tamanho corpóreo similar.[12] Os ovos se desenvolvem "no útero" por cerca de 28 dias, e são incubados externamente por cerca de dez a doze dias.[24]
Ao contrário da équidna, o ornitorrinco fêmea não tem uma bolsa, por isso coloca o seu corpo em volta dos ovos a fim de incubá-los. O período de incubação é separado em três fases. Na primeira, o embrião não tem órgãos funcionais e depende da gema para sua manutenção. Durante a segunda, há formação dos dígitos, e na última, há a formação dos dentes, que vão ajudar a romper a casca do ovo.[26]
Os filhotes recém eclodidos são vulneráveis, cegos, e pelados, com cerca de 18 milímetros de comprimento, e se alimentam do leite produzido pela mãe. Embora possua glândulas mamárias, o ornitorrinco não possui mamas. O leite escorre através dos poros na pele, depositando-se em sulcos presentes no abdômen da fêmea, permitindo os filhotes lamberem-no.[6][20] A amamentação ocorre por três a quatro meses. Durante a incubação e a amamentação, a fêmea somente deixa o ninho por curtos períodos de tempo para se alimentar. Quando sai, a fêmea cria inúmeras barreiras com solo e/ou material vegetal para bloquear a passagem do túnel que leva ao ninho, evitando assim o acesso de predadores,[27] como serpentes e o roedor, Hydromys chrysogaster.[23] Depois de cinco semanas, a mãe começa a passar mais tempo fora do ninho, e por volta dos quatro meses, os filhotes já emergem da toca.[20]
Classificação
George Shaw inicialmente o descreveu como Platypus anatinus, independentemente, Johann Friedrich Blumenbach, em 1880, a partir de uma amostra dada a ele por Sir Joseph Banks, descreveu o ornitorrinco, como Ornithorhynchus paradoxus.[30] Como o gênero Platypus já estava sendo usado por um besouro coleóptero, e seguindo as regras da prioridade, o ornitorrinco foi então nomeado de Ornithorhynchus anatinus.[3]Filogenética
Por causa da divergência inicial dos térios e do baixo número de espécies viventes, os monotremados são freqüentes objetos de pesquisas evolucionárias moleculares. Em 2004, pesquisadores da Universidade Nacional da Austrália descobriram que o ornitorrinco tem dez cromossomos sexuais, comparados aos dois (XY) da maioria dos outros mamíferos (sendo assim o macho é representado por XYXYXYXYXY).[31] Embora tenham a designação XY dos mamíferos, os cromossomos sexuais do ornitorrinco são mais similares aos cromossomos ZZ/ZW encontrados nas aves.[32] A espécie também não possui o gene determinante sexual (SRY), significando que o processo de determinação sexual no ornitorrinco permanece desconhecido.[33] Uma versão inicial da sequência genômica do ornitorrinco foi publicada na revista Nature em 8 de maio de 2008, revelando elementos reptilianos e mamíferos, como também dois genes encontrados previamente em aves, anfíbios e peixes.[32] Mais de 80% dos genes do ornitorrinco são comuns aos demais mamíferos cujo genoma já foi seqüenciado, demonstrando que o grupo dos monotremados foi um dos primeiros a divergir de seus ancestrais reptilianos.[32]
O ornitorrinco é classificado pela IUCN (2008) como pouco preocupante.[2] Exceto pela perda de habitat que ocorreu no estado da Austrália Meridional, ele ocupa a mesma distribuição original, antes da chegada dos europeus. Sua abundância atual e histórica, porém, é pouco conhecida e é provável que tenha diminuído em número, embora ainda considerado como uma espécie comum durante na maior parte da distribuição atual.[34] A espécie foi extensivamente caçada pela sua pele até os primeiros anos de século XX e, embora protegida em toda Austrália em 1905,[27] até cerca de 1950 ainda corria risco de afogamento nas redes de pesca nos rios.[35]
A espécie não parece estar em perigo iminente de extinção graças à medidas de conservação, mas pode ser afetado pela quebra de habitat causada por barragens, irrigação, poluição, redes e armadilhas.[2] Sua abundância é difícil de ser medida e, portanto, o seu futuro "status" de conservação não é facilmente previsível.[36] Vários estudos têm relatado a fragmentação da distribuição dentro de alguns sistemas fluviais, recentemente foi extinto da bacia do rio Avoca.[2] Isso tem sido atribuído às más práticas de gestão, levando à erosão dos bancos dos rios, sedimentação dos corpos d'água e perda da vegetação em áreas adjacentes a cursos de água. Também existem atualmente evidências de efeitos adversos no fluxo dos rios, introdução de espécies exóticas, má qualidade da água e doenças em populações de ornitorrinco, mas esses fatores têm sido pouco estudados.[36]
Geralmente sofrem de poucas doenças no estado selvagem, no entanto, há preocupação pública generalizada na Tasmânia sobre os impactos potenciais de uma doença causada pelo fungo Mucor amphibiorum. A doença (denominada Mucormicose) afeta apenas os ornitorrincos da Tasmânia, e não tem sido observada em ornitorrincos do continente australiano. Os ornitorrincos podem desenvolver uma dermatite ulcerativa em várias partes do corpo, incluindo o dorso, cauda e membros.[37] A mucormicose pode matar os animais, decorrente de infecções secundárias e por que afetam a habilidade dos animais de manter sua regulação térmica e na capacidade de se alimentar. Um setor da Conservação da Biodiversidade no Departamento de Indústrias Primárias e Água está colaborando com os pesquisadores da Universidade da Tasmânia para determinar o impacto da doença sobre os ornitorrincos da Tasmânia, bem como o atual mecanismo de transmissão e propagação da patologia.[38] Algumas populações têm exibido anticorpos para leptospirose, provavelmente transmitidas pelo gado, mas não foi observada sintomatologia clínica.[2]
Grande parte do mundo conheceu o ornitorrinco em 1939, quando a National Geographic Magazine publicou um artigo sobre o animal e os esforços para estudá-lo e mantê-lo em cativeiro. Esta é uma tarefa difícil, e apenas poucos animais têm se reproduzido com sucesso desde então - notavelmente no Santuário Healesville, em Victoria. A figura líder desses esforços foi David Fleay, que estabeleceu um berçário para ornitorrincos - um córrego simulado em um tanque - no Santuário Healesville, e teve um sucesso reprodutivo em 1943. Em 1972, ele encontrou um filhote morto, de cerca de 50 dias de idade, que tinha, presumivelmente, nascido em cativeiro, no Parque da Vida Selvagem David Fleay, em Burleigh Heads, Queensland.[39] Healesville repetiu o sucesso em 1998 e novamente em 2000 com um tanque de fluxo similar. O Zoológico Taronga, em Sydney, obteve o nascimento de gêmeos em 2003, e tiveram outro nascimento, em 2006.[40]
A imagem do animal tem sido usada diversas vezes como mascote: Syd foi um dos três mascotes escolhidos para os Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000, junto com uma équidna e um kookaburra,[42] "Expo Oz" foi o mascote da Expo 88, que foi sediada em Brisbane em 1988,[43] e "Hexley" é o mascote do computador da Apple que roda o sistema operacional Darwin BSD, o MAC OS X.[44]
O ornitorrinco é também retratado em músicas, como na canção do grupo Green Day, Platypus (I Hate You), e do grupo Mr. Bungle, Platypus. Ele é o tema de um poema infantil de Banjo Paterson, Old Man Platypus,[45] e freqüentemente aparece como personagens de programas infantis, como por exemplo, a família de ornitorrincos em Mister Rogers' Neighborhood, Perry o Ornitorrinco no programa Phineas and Ferb - no qual ele é um agente secreto, nomeado de Agent P[46] - e Ovide, a estrela do desenho animado Ovide and the Gang.[47]
Usando como exemplo primário para as dificuldades de classificação, o escritor italiano Umberto Eco escreveu um livro intitulado Kant e o Ornitorrinco.[48]
O ornitorrinco possui hábito crepuscular e/ou noturno. Carnívoro, alimenta-se de insetos, vermes e crustáceos de água doce. Possui diversas adaptações para a vida em rios e lagoas, entre elas as membranas interdigitais, mais proeminentes nas patas dianteiras. É um animal ovíparo, cuja fêmea põe cerca de dois ovos, que incuba por aproximadamente dez dias num ninho especialmente construído. Os monotremados recém-eclodidos apresentam um dente similar ao das aves (um carúnculo), utilizado na abertura da casca; os adultos não possuem dentes. A fêmea não possui mamas, e o leite é diretamente lambido dos poros e sulcos abdominais. E os machos possuem esporões venenosos nas patas, que são utilizados principalmente para defesa territorial e contra predadores. Possui uma cauda similar a de um castor.
As características atípicas do ornitorrinco fizeram com que o primeiro espécime empalhado levado para a Inglaterra fosse classificado pela comunidade científica como um embuste. Hoje, ele é um ícone nacional da Austrália, aparecendo como mascote em competições e eventos e em uma das faces da moeda de vinte centavos do dólar australiano. É uma espécie pouco ameaçada de extinção. Recentes pesquisas estão sequenciando o genoma do ornitorrinco e pesquisadores já descobriram vários genes que são compartilhados tanto com répteis como com as aves. Mas cerca de 82% do seus genes são compartilhados com outras espécies de mamíferos já sequenciadas, como o cachorro, a ratazana e o homem.
O ornitorrinco é endêmico da Austrália, onde é encontrado no leste de Queensland e Nova Gales do Sul, no leste, centro e sudoeste de Victoria, Tasmânia, e Ilha King. Foi introduzido no extremo oeste da ilha Kangaroo, entre 1926 e 1949, onde ainda mantém uma população estável.[1] A espécie está extinta na Austrália Meridional, onde era encontrada nas Colinas de Adelaide e na Cordilheira do Monte Lofty.[2]
A espécie é dependente de rios, córregos, lagoas e lagos. A distribuição geográfica mostra considerável flexibilidade tanto na escolha do habitat quanto na adaptabilidade a uma variação de temperatura. A espécie é capaz de enfrentar tanto as altas temperaturas das florestas tropicais de Queensland, como áreas montanhosas cobertas por neve em Nova Gales do Sul. A distribuição atual do ornitorrinco mudou muito pouco desde a colonização da Austrália, e continua a ocupar grande parte de sua distribuição histórica.[1]
O ornitorrinco tem um corpo hidrodinâmico e comprimido dorsoventralmente. Os membros são curtos e robustos, e os pés possuem membrana interdigital. Cada pé tem cinco dígitos com garras. A cauda é semelhante à de um castor. O focinho, que lembra um bico de pato, é alongado e coberto por uma pele glabra, macia, úmida e encouraçada; ele é perfurado sobre toda sua superfície por poros com terminações nervosas sensitivas. As narinas também se abrem no focinho, na sua metade dorsal superior, e estão posicionadas lado a lado. Os olhos e as orelhas estão localizados em um sulco logo após o focinho, esse sulco é fechado por uma pele quando o animal está sob a água.[3] A idéia de que o ornitorrinco tinha um bico córneo como o das aves surgiu do exame de espécimes ressecados.[4] Os órgãos olfatórios não são tão desenvolvidos quanto nas équidnas. E a espécie não tem orelhas externas ou pina.
| Ficha técnica [4] | |
| Comprimento | |
| Cauda | |
| Peso | |
| Tamanho de ninhada | |
| Período de incubação | |
| Desmame | |
| Maturidade sexual | |
| Longevidade | |
Tanto o peso quanto o comprimento variam entre os sexos, sendo o macho maior que a fêmea.[4] Há também uma variação substancial na média de tamanho de uma região a outra, esse padrão não parece estar relacionado a nenhum fator climático, e pode ser devido a outros fatores ambientais como predação e pressão humana.[5]
O corpo e a cauda do ornitorrinco são cobertos por uma densa pelagem que captura uma camada de ar isolante para manter o animal aquecido.[3][6] A coloração é âmbar profundo ou marrom escuro no dorso, e acinzentado a castanho amarelado no ventre. A cauda é usada como reserva de gordura, uma adaptação também vista em outros animais, como no diabo-da-tasmânia [7] e na raça de ovelha, Karakul. As membranas interdigitais são mais proeminentes nos membros dianteiros e são dobradas quando o animal caminha em terra firme.[3] Ornitorrincos emitem um rosnado baixo quando ameaçados e uma gama de outras vocalizações tem sido reportadas em cativeiro.[6]
O ornitorrinco tem uma média de temperatura corporal de cerca de 32 °C, ao invés dos 37 °C dos placentários típicos.[8] Pesquisas sugerem que essa temperatura foi uma adaptação gradual as condições ambientais hostis, em parte pelo pequeno número de monotremados sobreviventes em vez de uma característica histórica da ordem.[9][10]
O espécime adulto não possui dentes, entretanto, os filhotes possuem dentes calcificados, pequenos, sem esmalte e com numerosas raízes;[1] os três molares com cúspides presentes são pseudo-triangulados.[11] Nos adultos, os dentes são substituídos por uma placa queratinizada tanto na mandíbula como na maxila, que cresce continuamente.[3] O Ornithorhynchus possui algumas características craniais primitivas, entre elas a retenção das cartilagens escleróticas e do osso septomaxilar do crânio.[12] No esqueleto pós-craniano, ocorre retenção das vértebras cervicais (rudimentares) e dos ossos coracóide e interclavicular da cintura escapular, condições essas que são similares aos répteis.[3]
O macho tem esporões nos tornozelos, que produzem um coquetel venenoso,[13] composto principalmente por proteínas do tipo defensinas (DLPs), que são únicas do ornitorrinco.[14] Embora poderoso o suficiente para matar pequenos animais,[14] o veneno não é letal para os humanos, mas pode causar uma dor martirizante e levar à incapacidade. Como somente os machos produzem veneno e a produção aumenta durante o período de acasalamento, é teorizado que ele seja usado como arma defensiva para afirmar dominância durante esse período.[14]
Ornitorrincos são animais semiaquáticos e primariamente noturnos [1] ou crepusculares.[4] Quando não estão mergulhando em busca de alimento, descansam em buracos feitos nas margens dos rios e lagos, sempre camuflados com vegetação aquática. Há dois tipos de tocas, uma serve como abrigo para ambos os sexos e é construída pelo macho na época de acasalamento; a outra, geralmente mais profunda e elaborada, é construída pela fêmea e serve como ninho para a incubação dos ovos e cuidados pós-natais.[4] As aberturas das tocas ficam acima da água, e se estendem sob as margens de 1 a 7 metros acima do nível da água e até por 18 metros horizontalmente. O território dos machos tem cerca de sete quilômetros, sobrepondo a área de três a quatro fêmeas.[15]
É um excelente mergulhador e gasta boa parte do dia procurando por comida sob a água. Singularmente entre os mamíferos, ele se impulsiona ao nadar alternando remadas com as duas patas dianteiras; embora todas as quatro patas do ornitorrinco tenham membranas, as traseiras (mantidas contra o corpo) não auxiliam na propulsão, mas são usadas para manobrar em combinação com a cauda.[16] Os mergulhos normalmente duram cerca de trinta segundos, mas podem durar até mais, não excedendo o limite aeróbico de quarenta segundos. Dez a vinte segundos são gastos para retornar à superfície.[17][18]
Sobre a longevidade, ornitorrincos selvagens já foram recapturados com onze anos e, em cativeiro, a espécie vive até dezessete anos. A taxa de mortalidade, em adultos, na natureza é aparentemente baixa.[3] Os predadores naturais incluem aves de rapina, serpentes, além de cães, gatos, raposas-vermelhas e o homem.[19] A introdução da raposa-vermelha como predadora do coelho pode ter tido um impacto na população de ornitorrincos na Austrália.[5] Um baixo número de ornitorrincos na região norte de Queensland pode ser devido a presença do crocodilo-poroso (Crocodylus porosus).Hábitos alimentares e dieta
O animal precisa comer 20% do seu peso todos os dias, esse requerimento faz com que ele gaste 12 horas por dia procurando por comida.[17] Em cativeiro, ele chega a comer metade do seu peso em um único dia, um macho pesando 1.5 quilogramas pode ingerir 45 gramas de minhocas, 20-30 lagostins, 200 larvas de tenébrios, dois sapos pequenos, e dois ovos cozidos.[4]
Reprodução A espécie exibe uma única estação de acasalamento, que ocorre entre junho e outubro, com algumas variações locais.[20] Observações históricas, estudos de marcação e recaptura, e investigações preliminares de genética populacional indicam a possibilidade de membros transitórios e residentes na população e sugerem um sistema de acasalamento polígeno.[22] Ambos os sexos se tornam sexualmente maduros no segundo ano de vida, mas algumas fêmeas só se reproduzem com quatro anos ou mais tarde.[23] Todos os monotremados apresentam baixa taxa reprodutiva - não mais do que uma vez ao ano.[12]
Após o acasalamento, a fêmea constrói um ninho, mais elaborado que a toca de descanso, e o bloqueia parcialmente com material vegetal (que pode ser um ato de prevenção contra enchentes ou predadores, ou um método de regulação de temperatura e umidade).[19] O macho não participa da incubação, nem do cuidado com os filhotes. A fêmea forra o ninho com folhas, junco e outros materiais macios, para fazer uma cama confortável.[6]
A fêmea do ornitorrinco tem um par de ovários, mas somente o esquerdo é funcional.[24] Ela põe de um a três ovos (geralmente dois) pequenos, de aspecto semelhante ao dos répteis (pegajosos e com uma casca coriácea), com cerca de onze milímetros de diâmetro e ligeiramente mais arredondados que o das aves.[25] Em proporção, os ovos dos monotremados são muito menores, na ovulação, do que os dos répteis ou aves de tamanho corpóreo similar.[12] Os ovos se desenvolvem "no útero" por cerca de 28 dias, e são incubados externamente por cerca de dez a doze dias.[24]
Ao contrário da équidna, o ornitorrinco fêmea não tem uma bolsa, por isso coloca o seu corpo em volta dos ovos a fim de incubá-los. O período de incubação é separado em três fases. Na primeira, o embrião não tem órgãos funcionais e depende da gema para sua manutenção. Durante a segunda, há formação dos dígitos, e na última, há a formação dos dentes, que vão ajudar a romper a casca do ovo.[26]
Os filhotes recém eclodidos são vulneráveis, cegos, e pelados, com cerca de 18 milímetros de comprimento, e se alimentam do leite produzido pela mãe. Embora possua glândulas mamárias, o ornitorrinco não possui mamas. O leite escorre através dos poros na pele, depositando-se em sulcos presentes no abdômen da fêmea, permitindo os filhotes lamberem-no.[6][20] A amamentação ocorre por três a quatro meses. Durante a incubação e a amamentação, a fêmea somente deixa o ninho por curtos períodos de tempo para se alimentar. Quando sai, a fêmea cria inúmeras barreiras com solo e/ou material vegetal para bloquear a passagem do túnel que leva ao ninho, evitando assim o acesso de predadores,[27] como serpentes e o roedor, Hydromys chrysogaster.[23] Depois de cinco semanas, a mãe começa a passar mais tempo fora do ninho, e por volta dos quatro meses, os filhotes já emergem da toca.[20]
Classificação
[editar] História taxonômica
Quando o ornitorrinco foi descoberto pelos europeus em 1798, uma gravura e uma pelagem foram enviadas de volta ao Reino Unido pelo Capitão John Hunter, o segundo governador de Nova Gales do Sul.[28] Os cientistas britânicos primeiramente estavam convencidos que se tratava de uma fraude.[6] O zoólogo George Shaw, que produziu a primeira descrição do animal em 1799, dizia que era impossível não se ter dúvidas quanto à sua verdadeira natureza, e outro zoólogo, Robert Knox, acreditava que ele podia ter sido produzido por algum taxidermista asiático.[29] Pensou-se que alguém tinha costurado um bico de pato sobre o corpo de um animal semelhante a um castor. Shaw até mesmo tomou uma tesoura para verificar se havia pontos na pele seca.[6]George Shaw inicialmente o descreveu como Platypus anatinus, independentemente, Johann Friedrich Blumenbach, em 1880, a partir de uma amostra dada a ele por Sir Joseph Banks, descreveu o ornitorrinco, como Ornithorhynchus paradoxus.[30] Como o gênero Platypus já estava sendo usado por um besouro coleóptero, e seguindo as regras da prioridade, o ornitorrinco foi então nomeado de Ornithorhynchus anatinus.[3]Filogenética
Por causa da divergência inicial dos térios e do baixo número de espécies viventes, os monotremados são freqüentes objetos de pesquisas evolucionárias moleculares. Em 2004, pesquisadores da Universidade Nacional da Austrália descobriram que o ornitorrinco tem dez cromossomos sexuais, comparados aos dois (XY) da maioria dos outros mamíferos (sendo assim o macho é representado por XYXYXYXYXY).[31] Embora tenham a designação XY dos mamíferos, os cromossomos sexuais do ornitorrinco são mais similares aos cromossomos ZZ/ZW encontrados nas aves.[32] A espécie também não possui o gene determinante sexual (SRY), significando que o processo de determinação sexual no ornitorrinco permanece desconhecido.[33] Uma versão inicial da sequência genômica do ornitorrinco foi publicada na revista Nature em 8 de maio de 2008, revelando elementos reptilianos e mamíferos, como também dois genes encontrados previamente em aves, anfíbios e peixes.[32] Mais de 80% dos genes do ornitorrinco são comuns aos demais mamíferos cujo genoma já foi seqüenciado, demonstrando que o grupo dos monotremados foi um dos primeiros a divergir de seus ancestrais reptilianos.[32]
O ornitorrinco é classificado pela IUCN (2008) como pouco preocupante.[2] Exceto pela perda de habitat que ocorreu no estado da Austrália Meridional, ele ocupa a mesma distribuição original, antes da chegada dos europeus. Sua abundância atual e histórica, porém, é pouco conhecida e é provável que tenha diminuído em número, embora ainda considerado como uma espécie comum durante na maior parte da distribuição atual.[34] A espécie foi extensivamente caçada pela sua pele até os primeiros anos de século XX e, embora protegida em toda Austrália em 1905,[27] até cerca de 1950 ainda corria risco de afogamento nas redes de pesca nos rios.[35]
A espécie não parece estar em perigo iminente de extinção graças à medidas de conservação, mas pode ser afetado pela quebra de habitat causada por barragens, irrigação, poluição, redes e armadilhas.[2] Sua abundância é difícil de ser medida e, portanto, o seu futuro "status" de conservação não é facilmente previsível.[36] Vários estudos têm relatado a fragmentação da distribuição dentro de alguns sistemas fluviais, recentemente foi extinto da bacia do rio Avoca.[2] Isso tem sido atribuído às más práticas de gestão, levando à erosão dos bancos dos rios, sedimentação dos corpos d'água e perda da vegetação em áreas adjacentes a cursos de água. Também existem atualmente evidências de efeitos adversos no fluxo dos rios, introdução de espécies exóticas, má qualidade da água e doenças em populações de ornitorrinco, mas esses fatores têm sido pouco estudados.[36]
Geralmente sofrem de poucas doenças no estado selvagem, no entanto, há preocupação pública generalizada na Tasmânia sobre os impactos potenciais de uma doença causada pelo fungo Mucor amphibiorum. A doença (denominada Mucormicose) afeta apenas os ornitorrincos da Tasmânia, e não tem sido observada em ornitorrincos do continente australiano. Os ornitorrincos podem desenvolver uma dermatite ulcerativa em várias partes do corpo, incluindo o dorso, cauda e membros.[37] A mucormicose pode matar os animais, decorrente de infecções secundárias e por que afetam a habilidade dos animais de manter sua regulação térmica e na capacidade de se alimentar. Um setor da Conservação da Biodiversidade no Departamento de Indústrias Primárias e Água está colaborando com os pesquisadores da Universidade da Tasmânia para determinar o impacto da doença sobre os ornitorrincos da Tasmânia, bem como o atual mecanismo de transmissão e propagação da patologia.[38] Algumas populações têm exibido anticorpos para leptospirose, provavelmente transmitidas pelo gado, mas não foi observada sintomatologia clínica.[2]
Grande parte do mundo conheceu o ornitorrinco em 1939, quando a National Geographic Magazine publicou um artigo sobre o animal e os esforços para estudá-lo e mantê-lo em cativeiro. Esta é uma tarefa difícil, e apenas poucos animais têm se reproduzido com sucesso desde então - notavelmente no Santuário Healesville, em Victoria. A figura líder desses esforços foi David Fleay, que estabeleceu um berçário para ornitorrincos - um córrego simulado em um tanque - no Santuário Healesville, e teve um sucesso reprodutivo em 1943. Em 1972, ele encontrou um filhote morto, de cerca de 50 dias de idade, que tinha, presumivelmente, nascido em cativeiro, no Parque da Vida Selvagem David Fleay, em Burleigh Heads, Queensland.[39] Healesville repetiu o sucesso em 1998 e novamente em 2000 com um tanque de fluxo similar. O Zoológico Taronga, em Sydney, obteve o nascimento de gêmeos em 2003, e tiveram outro nascimento, em 2006.[40]
[editar] Aspectos culturais
O ornitorrinco é, algumas vezes, referido de forma bem humorada como a prova de que Deus tem senso de humor (como no início do filme Dogma, por exemplo [41]). Sua aparência incomum fez com que aparecesse em diversos meios de comunicação, especialmente na Austrália, sua terra natal.A imagem do animal tem sido usada diversas vezes como mascote: Syd foi um dos três mascotes escolhidos para os Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000, junto com uma équidna e um kookaburra,[42] "Expo Oz" foi o mascote da Expo 88, que foi sediada em Brisbane em 1988,[43] e "Hexley" é o mascote do computador da Apple que roda o sistema operacional Darwin BSD, o MAC OS X.[44]
O ornitorrinco é também retratado em músicas, como na canção do grupo Green Day, Platypus (I Hate You), e do grupo Mr. Bungle, Platypus. Ele é o tema de um poema infantil de Banjo Paterson, Old Man Platypus,[45] e freqüentemente aparece como personagens de programas infantis, como por exemplo, a família de ornitorrincos em Mister Rogers' Neighborhood, Perry o Ornitorrinco no programa Phineas and Ferb - no qual ele é um agente secreto, nomeado de Agent P[46] - e Ovide, a estrela do desenho animado Ovide and the Gang.[47]
Usando como exemplo primário para as dificuldades de classificação, o escritor italiano Umberto Eco escreveu um livro intitulado Kant e o Ornitorrinco.[48]
[editar] Notas
- Nota (a): Duas espécies fósseis foram descritas. A primeira, Ornithorhynchus agilis descrita por De Vis, em 1885, através de uma tíbia e fragmentos da mandíbula, foi, noventa e cinco anos depois, assinada como sinônimo da espécie atual, O. anatinus. A segunda, Ornithorhynchus maximus foi descrita por William Sutherland Dun, em 1895, entretanto, em 1999, Hall demonstrou que se tratava de um exemplar de équidna, possivelmente da espécie Zaglossus robustus.[28]
- Nota (b): Dermipus Wiedemann, 1800 e Platypus Shaw, 1799 [preoccupied] (i. e., já usado e, assim, indisponível para outro uso) são considerados sinônimos do gênero Ornithorhynchus.[49] O termo Platypus (do grego: platus, achatado + pous, pés), foi preoccupied por um besouro (Coleoptera) descrito por Herbst, em 1793.
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